Sábado, 15 de Março de 2008

Um Amarelejense em Curitiba

Hoje recebi uma mensagem de um amarelejense a viver em curitiba. é um assiduo leitor deste Blog, fala com carinho e muita saudade desta sua terra, e achei-a muito interessante  por isso resolvi  transcrevê-la.

 

Prezada Cidália

Como recomenda recorro ao seu endereço para fazer chegar as minhas impressões . De facto a sua página deu um tremendo salto de qualidade e sobretudo adquiriu uma enorme abrangência , como se uma força tivesse empurrado um punhado de idéias e de recursos técnicos. Parabéns portanto , porque dá para sentir que há um sonho norteando todo essa dedicação e trabalho de equipa , creio .

Gostaria de tecer algumas considerações sobre o jardim daquela senhora, que eu não conheço. Refiro-me ao jardim. Deduzo que seja um arredor circundando a nossa Amareleja, em plena primavera, a realçar a exuberância do verde e dos campos floridos, que me parecem nada terem a ver com a vila em si, dentro dos seus muros, no desenho das suas ruas, nos portais, nas janelas e numa ou noutra varanda .

Ela faz referência a um jardim natural mas circunstancial, sazonal, isolado, mostrando a sua beleza numa parte do ano, que infelizmente não dura muito, para depois sucumbir, secar, desaparecer, para dar lugar ao vazio de uma paisagem muitas vezes até inóspita e triste, que passa a sofrer os rigores de ventos frios e chuvosos durante a maior parte do ano e do calor abrasador, e causticante, tão característico da nossa região.

Se alguém diz que a vila merecia mais verde, acho que tem toda a razão porque as terras onde se vive ao longo da vida, devem conviver com o verde que tão bem faz à saúde mental e que historicamente tem acompanhado as pessoas em toda a parte e em todas as latitudes.

Um dos índices de qualidade de vida é precisamente o verde que deve envolver as ruas e as pessoas no seu dia a dia, emprestando à paisagem urbana um ar refrescante e convidativo . São as praças e as zonas verdes dentro das povoações, os elementos mais olhados e tratados até como uma necessidade, a par de outros serviços ao serviço do cidadão, como saúde, escola, saneamento .

A nossa vila ( em mim ainda existe a aldeia da minha meninice ) é bonita, tem ruas de um modo geral brancas e bem caiadas e se tivermos a coragem de imaginá-la verde e colorida, com sombras oferecendo frescura, aí estaremos exercendo uma postura correta e até necessária. Podemos até imaginar os nossos velhos usufruindo de uma sombra amiga e acolhedora envolvendo uma conversa prazerosa e de saudade convidando a regressos no tempo. Podemos imaginar as pessoas compartilhando um banco sob uma árvore, falando da vida ou simplesmente matando o tempo. Podemos imaginar crianças brincando na sombra acolhedora e podemos imaginar um olhar mais longo vislumbrando uma fileira de árvores fazendo moldura com os telhados num casamento de harmonia .

Quando aí vou sinto precisamente a ausência do verde que poderia tornar mais alegre essa nossa terra generosa, que lá atrás foi palco das minhas brincadeiras, muitas vezes sob um sol escaldante e doentio. Lembro as tardes mornas nas quais o silencio era a companhia do sol abrasador e impossível de suportar fora de casa. Lembro também os invernos chuvosos e extremamente frios que empurravam as brincadeiras para dentro de casa .

A cidade onde vivo "Curitiba no sul do Brasil" tem um índice de verde por habitante e por quilometro dos mais altos do mundo, com dezenas de lagos e zonas verdes viradas para o lazer e hoje quando um candidato a Prefeito pretende conseguir convencer os seus eleitores, necessariamente tem que apresentar argumentos sobre a parte ecológica. Milhares de pessoas invadem os parques com pistas apropriadas para o caminhar programado ou não, e são esses parques e essas zonas verdes que falam de coisas boas às pessoas, a suavizar as dificuldades e o cansaço do dia a dia.

As paisagens que essa senhora apresenta são maravilhosas porque mostram um campo amigo, verde e florido, mas não podemos esquecer que é como se fosse uma miragem que rápido desaparece para dar lugar a paisagens apagadas . Eu não sei , mas dá a impressão de que ela não vive o dia a dia da vila continuadamente, ou se aí vive, deve ter uma enorme capacidade por sentir-se satisfeita e feliz, somente escassos três meses em cada ano nessa plenitude de cores que realmente dá gosto apreciar.

Os nossos campos são lindos em cada primavera, mas se tivéssemos o verde das ruas trabalhado e mantido sempre como companhia, aí teríamos um ciclo completo, companheiro e aprazível, que com toda a certeza iria modificar alguns hábitos dos nossos conterrâneos.

Mantenho como pano de fundo no meu computador, a foto aérea da Amareleja , há uns dois ou três anos e agora reparo que a presença da central, veio dar uma dinâmica futurista, parecendo até que a zona preenchida pela estrutura da captação solar, se parece com o desenho da vila , como se houvesse uma intenção propositada .

Acho que é altura de uma movimentação da terra no sentido de se fazer alguma coisa, como por exemplo arborizar a vila. Quem sabe se uma aproximação intencional com essa organização que agora aí está, pudesse resultar numa ajuda que afinal seria boa para todos até na parte turística. O nosso pessoal gosta do verde e do colorido das plantas e a prova está na presença de vasos que assomam envergonhados em alguma porta, em algum quintal, em alguma janela. Forneça-se a essas pessoas uma motivação e tenho a certeza de que alguma coisa iria acontecer.

Porque amarelejando não começa a vender essa idéia à vila, engajando os órgãos sociais, como a junta, os bancos, etc .? Porque amarelejando não poderia ir de porta em porta no sentido de engajar as pessoas nessa idéia simples mas fantástica ? Fica o desafio .

As pessoas agora começarão a aflorar aí para conhecerem a central e se tiverem outros motivos, ( uma terra com plantas e flores em cada ângulo de visão ) a fama pode pegar e daí pode surgir uma festa anual na primavera, acompanhada de uma boa tourada, com muita musica, muita cantoria com toda essa riqueza dos grupos alentejanos das redondezas.

Pode até imaginar-se ( não custa nada) uns prêmios para a rua mais florida, a janela mais florida, etc, etc. Pode-se imaginar uma festa da flor com raparigas enfeitadas com flores, participando de uma caminhada em cima de tratores, estes ornamentados com ramos verdes .

Agora as autoridades locais é que devem entender o alcance e o interesse da comunidade que chamaria dinheiro para a vila e todo um transito de pessoas que aí iriam deixar uns trocados. Os comerciantes da Vila também deveriam encabeçar essa idéia porque o seu negocio iria crescer com a chegada das pessoas, tal como acontece todos os anos na Santa Maria .

Cordialmente
Joaquim Carrachaz Guerreiro

   

 

 

 

amarelejando às 17:02
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